Love, it cross all lines

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Um novo adeus

aboutourselves:

“Oi, amor. Te escrevo pra dizer que esse é o fim. O nosso fim. O fim de todo aquele amor de sempre, aquele amor carnal, aquele amor tão vivo… que morreu. Morreu porque você me ama demais. O amor deve ser equilibrado, mas você me ama tanto que chega a me doer. Preciso admitir que você fica linda dançando com a minha camisa a nossa musica dos bee gees, fritando o omelete do café da manhã, descalça e com aquela velha tornozeleira que eu te dei no nosso terceiro encontro de um relacionamento firme e com nome definido. Eu já acordo sorrindo, querendo sexo de novo… Mas acho que no final pra mim é só isso. Você é a mulher mais sexy do mundo, me ama de um jeito intenso demais, e eu não sei corresponder da mesma maneira… Não por mal, nem por nada… Só nos amamos de um jeito diferente. Pra mim é sexo, gozei, acabou. Pedimos uma pizza, busco uma água gelada, e capoto. Sem carinho, sem beijo de língua, só cobertor e virado pro lado. Esse é o máximo de amor que eu posso te dar, desculpe. Aliás eu não faço ideia porque eu pedi desculpas agora, eu sei que você vai ler chorando, teus olhos vão ficar mais claros, vão perder o brilho, você vai ligar pra aquela tua amiga com voz fina que chega a doer os ouvidos, você vai se lamuriar pra ela, abrirão um vinho caro que eu trouxe da argentina e está guardado na nossa velha adega (que nós juntamos dinheiro por bons meses pra finalmente construir uma boa, pelo simples fato de amarmos vinho das mais variadas formas), você vai chorar, ela vai dizer com aquela cara de sonsa (porque ela tem uma voz irritante e uma cara de sonsa): “foi melhor assim”. Você vai ficar com tanta raiva por estar doendo tanto, vai se embriagar, vestir aquele velho vestido preto que te deixa uma delícia e faz qualquer homem querer arrancá-lo do teu corpo e te fazer mulher (você sempre gostou que eu falasse desse jeito sobre comer você). Não estou te deixando porque o sexo é ruim, jamais, longe de mim. Você é tão foda na cama que eu nem precisei buscar na rua (não consigo perder o sarcasmo, desculpe). A verdade é que eu cansei de ser só sexo… Queria que nosso relacionamento voltasse a ser como era no começo (a maioria dos casais quer isso, nós já conversamos sobre isso), mas ele está tão desgastado que machuca deitar na cama e virar pro lado pra dormir, ao invez de te ninar no meu colo e me policiar pra não fechar os olhos, vendo você dormir primeiro (tão pequena, e tão linda…). Só que não dá mais entende? Não dá. Desculpa amor, tente não me odiar, vai. Você fica tão linda me odiando… Quer saber? Eu sou libra, você sabe, sou um indeciso da porra. Eu nunca me perdoaria se eu perdesse você. Volta pra mim, pequena. Hoje chego mais cedo do trabalho, e acabei de ligar fazendo reserva naquele seu restaurante australiano (que acaba com as minhas economias), mas que você come sorrindo. Na verdade, o problema é o teu sorriso. Eu jamais suportaria ver você sorrindo pra outro.”

Ela leu, chorou, ligou pra uma amiga exatamente naquela hora… Se deu conta que outro homem jamais a conheceria daquela forma. Terminou com uma raiva desgraçada daquele canalha. Mas fazer o que? Era o cheiro, o beijo, o desejo carnal, era ele. Vestiu aquela lingerie nova que ele não tinha visto ainda, comprou um vestido novo, e entrou no carro. Iam fazer o que se era desse jeito que eles se reconquistavam?

A.M.

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